O guia eleitoral do candidato reeleito a prefeito de Juazeiro anunciou
que o DNIT - Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte
estará licitando no final de outubro a obra do anel viário de Juazeiro. O
guia chama de anel, o que o Dnit chama de travessia urbana. Preferiria
que o anúncio não passasse de uma peça de campanha, ao invés de um
efetivo procedimento governamental. Explico: sendo anel ou travessia,
são obras de impacto urbanístico, que precisam estar em harmonia com o
Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano, que, por sua vez, para se
legitimar, necessariamente precisa ser submetido a audiências públicas,
conforme o Estatuto das Cidades.
É sabido que o PDDU de Juazeiro, elaborado entre os governos do Prof.
Rivas e de Joseph Bandeira e que se constitui como um dos trabalhos mais
qualificados e responsáveis do ponto de vista do planejamento urbano de
Juazeiro em toda a sua história, não foi levado a efeito por conta da
falta de uma Audiência Pública na Câmara de Vereadores, estando o mesmo
sub-júdice até o presente momento, sem que os governos de Misael
Aguillar e Isaac Carvalho que os sucederam tenham feito qualquer gestão
para destravá-lo. Ao contrário, a cidade vem crescendo de forma
desordenada, com atrofias, inchaços e deformações.
Outra situação análoga é a do lixão recentemente remediado que vem
gerando prejuízos ao erário em função da onerosidade das multas diárias
determinadas em sentença judicial, pela localização imprópria, por
achar-se à margem de um riacho que desemboca no Rio São Francisco, bem
como muito próximo de um famoso balneário, a Ilha do Rodeadouro. No que
se refere à Travessia Urbana, fraudulentamente chamada de anel viário,
mesmo não circundando nada ou coisa alguma, mas que impacta o meio
ambiente urbano, não houve qualquer audiência, apenas um “ arrumadinho “
na Câmara, uma sessão de” faz-de-conta”, sem a participação de
segmentos da sociedade, entre os quais o Conselho Regional de Engenharia
e Arquitetura.
Esse projeto que estará sendo licitado contempla a perspectiva das duas
pontes, por exemplo? Sabe-se que a crise financeira internacional
encolheu o mercado das exportações brasileiras e o Governo Federal vem
incentivando o mercado interno com redução de alíquotas do IPI para
automóveis, o que vem provocando enxurrada de veículos nas ruas, sem
qualquer programa de substituição e recolhimento de frotas mais antigas,
como ocorre em outros países.
O trânsito em Juazeiro e Petrolina já se apresenta sobrecarregado, para
não dizer um caos. A frota que circula hoje é a que estava prevista
para 2020. Enquanto isso o DNIT, palco recente de grandes escândalos de
corrupção e roubalheira, assina atestado de desconhecimento de Juazeiro e
de seu entorno, ao manter há anos duas placas de sinalização na BR –
407, na saída e na entrada desta cidade, referindo-se à vizinha cidade
de Curaçá como CURUÇÁ. Se Curaçá mudou de nome ou possui mais de um
nome, o desconhecimento é meu e peço desculpas ao Dnit.
Jaime Badeca Filho - Advogado e cronista.
Fonte: Geraldo José