A resposta a esta indagação foi discutida na última quinta-feira (31/05), durante o Aulão realizado na Escola de Referência em Ensino Médio Clementino Coelho (EREMCC), em Petrolina (PE), com o tema A Desconstrução do dia 13 de maio, a Cidadania e a Questão Racial no Brasil. O evento foi uma ação do Ponto de Cultura As Histórias dos Heróis do Povo Negro em parceria com o Impulso Pré-vestibular e Concursos que pretende ampliar as discussões relacionadas à desigualdade racial no Brasil.
Para garantir o êxito do debate, foram apresentados aos estudantes dados históricos, estatísticos e a discussão sobre a problemática racial, além da interação através da música, com a participação do mentor da Banda Tio Zé Bá e Apocalypse Reggae, Maércio José, que levou o reggae como instrumento de provocação e apreciação. De acordo com o professor Gilmar Santos, sócio-diretor do Impulso e colaborador do Ponto de Cultura As Histórias dos Heróis do Povo Negro, existe uma necessidade de se aprofundar debates de temáticas raciais entre os estudantes.
Ao solicitarmos uma comparação sobre a aceitação do tema em escolas públicas e particulares, Santos garante: “se analisarmos do ponto de vista social, econômico e cultural, existe uma presença de afrodescendentes em locais marginalizados, periféricos, de maneira que, na escola pública existe uma presença maior da população afrodescendente e, evidentemente, nós vamos ter uma recepção ou interesse maior por parte desse público, mas eu tenho contato também com alunos de rede privada e essa temática tem um nível de recepção positivo”, assegura o professor.
OPINIÃO
No dia 13 de maio de 1888 foi a data de Abolição da Escravatura no Brasil. Para a estudante Lila Morená, “esse dia não foi um coisa boa para os negros. Eles foram soltos nas ruas, sem terra, moradia e qualidade de vida. Então, na verdade, o dia 13 de maio é uma mentira. Não é para ser comemorado. O estudante de terceiro ano, Valmir Jorge, afirma: “o racismo está presente na nossa sociedade brasileira, só que de uma forma covarde, disfarçada, camuflada. Movimentos como esse, vem reforçar a ideia de que a gente precisa mudar as nossas concepções quanto às diferenças étnicas, sociais, culturais e religiosas e nada melhor do que esse movimento para ser um dos pilares dessa luta social”.
Morená compreendeu o objetivo da iniciativa em discutir o tema. “Trazer esses eventos para a escola influencia as pessoas a pensarem em relação às outras com menos preconceito, porque nós todos, tanto em lei, como em vida, tanto nas questões sociais, no dia-a-dia, somos pessoas pensantes, somos pessoas que sentimos, gostamos. Isso significa que todos nós, independente de cor, raça, crença, nós temos um só propósito na vida que é ser feliz. Logo, isso nos torna humanos, independentemente de qualquer coisa”, finaliza.
Texto e fotos: Naiara Soares - ASSSESSORIA DE COMUNICAÇÃO DO IMPULSO com informações do blog do Geraldo José