CONTAGEM E RIO — O promotor Henry Wagner Vasconcelos adiantou que
Luiz Henrique Romão, o Macarrão, foi condenado na noite desta
sexta-feira por três crimes: sequestro, cárcere privado e homicídio da
modelo Eliza Samudio. O ex-braço direito do goleiro Bruno escapou de
ocultação de cadáver. Já Fernanda Gomes de Castro, ex-namorada do
atleta, foi condenada por sequestro e cárcere privado da modelo e do
filho dela com Bruno, o Bruninho. O debate entre defesa e acusação de
dois envolvidos no desaparecimento e morte da modelo — o que marcou o
quinto dia de julgamento do caso Bruno — terminou por volta das 21h
desta sexta-feira
Os sete jurados seguiram para uma sala, onde
votaram pela condenação ou absolvição dos réus. Em seguida, a juíza
Marixa Fabiane Lopes Rodrigues proclama a sentença. O advogado Leonardo
Diniz, que representa Macarrão, voltou a negar que Eliza foi
sequestrada. Durante sua tréplica ao promotor de Justiça, Henry Wagner
Vasconcelos de Castro, Diniz voltou a afirmar que a modelo teria ido ao
sítio de Bruno por vontade própria, e ironizou:
— Sequestro assim até eu queria. Um sítio lindo daqueles.
Mais
cedo, o advogado do ex-funcionário do goleiro Bruno pediu uma “pena
justa” para o cliente. Segundo o advogado, Macarrão não participou do
assassinato.
— Que essa reprimenda seja justa. Que o Luiz Henrique
seja absolvido do crime de sequestro, seja ainda absolvido do crime de
ocultação de cadáver. Ele não participou do assassinato. Quero que
vossas excelências analisem a relação entre um serviçal e um ídolo de
futebol — disse Leonardo, ao encerrar sua argumentação na tarde desta
sexta-feira no Fórum Pedro Aleixo, em Contagem, Região Metropolitana de
Belo Horizonte.
Carla Silene, advogada de Fernanda Gomes de Casto, ex-namorada do
goleiro Bruno, também falou. Ela afirma que quer provas da participação
de Fernanda na morte de Eliza Samúdio. E acrescenta que a cliente não
participou de nenhum sequestro e cárcere privado, e pede sua absolvição.
Fernanda é acusada do sequestro e cárcere privado de Eliza Samudio e do
filho dela com Bruno.
Com duas horas e meia de atraso, o debate
entre a defesa e a acusação dos réus começou às 11h30m, com a exposição
de materiais apreendidos pela Polícia Civil durante as investigações.
Entre os objetos, que estavam em um saco lacrado, havia uma sandália,
possivelmente de Eliza. O debate começou com a sustentação do promotor
de Justiça Henry Wagner Vasconcelos de Castro. Ele disse que a morte da
modelo Eliza Samudio foi negociada pelo "valor vulgar de R$ 5 mil". Após
os discursos dos advogados de Macarrão e Fernanda, Henry Wagner pediu a
réplica. A sentença, segundo previsão do promotor, deve ser divulgada
por volta da meia noite.
— O réu Macarrão confessou porque barca
furada em qualquer porto atraca. Ele é um dos co-articuladores desse
crime — disse o promotor. — A confissão tem um papel legal devidamente
definido, que é redução de pena, mesmo que seja uma confissão parcial.
Macarrão merece redução da pena. Ele não tem como escapar da condenação.
A confissão de Macarrão foi inteligentemente planejada.
Advogado de Macarrão questiona credibilidade
Durante
seu primeiro discurso, o advogado de Macarrão pediu aos jurados o
“afastamento dos boatos”. Ele questionou a credibilidade das provas
apresentadas pela acusação:
— Será que realmente as provas que
estão ali não tiveram nenhuma alteração? A prova é frágil, decorrente de
vício e mácula. Ao acusador, compete o ônus da prova.
Ele
ressaltou os laços de amizade entre Macarrão e Bruno, lembrando como
eles se conheceram e como o amigo ajudou Bruno a seguir carreira no
esporte:
— Que garoto não tem o sonho de ser jogador de futebol? É
nesse contexto que se insere o Luiz Henrique. Em Ribeirão das Neves,
ainda pequeno, engrossava as peneiras de campos de futebol. Ele sonhava
em ser goleiro. Até conhecer um tal de Bruno Fernandes. Naquele momento
de amizade, os dois tinham um sonho: ser jogador de futebol, uma
celebridade. Eles cresceram juntos. O Luiz se manteve no futebol, o
Bruno desistiu da carreira. Mas a amizade é muito forte, e o Luiz
Henrique fez Bruno voltar. Bruno virou goleiro do Atlético. Com sucesso
do amigo, surge uma admiração, uma idolatria. Depois Bruno foi para o
Corinthians, Flamengo, e aí já estava estourado para o futebol.
Diniz disse que Macarrão era alvo de ciúmes dos dois primos de Bruno: Sérgio Rosa Sales e o então menor J.
—
Macarrão passou a controlar as despesas do Bruno, gerir suas contas,
conquistando a antipatia de seus dois primos. Foi criado um ranço entre
eles — afirmou o advogado.
Segundo Diniz, Macarrão ainda tentou evitar o crime:
—
O Macarrão disse para o Bruno: “vai acabar com a sua carreira". Mas o
Bruno disse: “é para fazer, eu estou mandando”. Aí, ele se submete,
adere a essa vontade. Sai, pega Eliza e leva até o lugar combinado, ela
achando que iria ao apartamento do Bruno.
Durante debate entre
defesa e acusação, que deu início ao quinto dia de julgamento dos
envolvidos no desaparecimento e morte da ex-amante do goleiro Bruno, o
promotor afirmou ainda que o valor supostamente pago pelo crime demorou a
ser quitado devido a um atraso no pagamento do salário de Bruno pelo
Flamengo. Ele reforçou que Eliza foi levada a Minas Gerais para ser
morta:
— Eliza não veio a Minas a passeio como falam esses
crápulas. Ela foi sangrada, sequestrada e trazida para Minas, onde Bruno
e sua turma achavam ser mais fácil dar cabo da vida dela.
Durante
a argumentação, o promotor relatou o depoimento de J., primo de Bruno
que era menor na época do crime e hoje integra um programa de proteção a
testemunhas, para sustentar a acusação.
— Na hora em que Macarrão
falou que Bruno era um babaca eu rendi ela (sic). Foi tudo combinado.
Eu rendi a Eliza com a arma, aí ela tentou pular do carro em movimento,
porque o Macarrão esqueceu de fechar. Daí nessa hora eu dei três
coronhadas na cabeça dela — disse Henry de Castro, lendo o depoimento de
J. aos jurados.
O promotor afirmou que a modelo foi atraída pela
proposta "hipócrita" de Bruno, transmitida por Macarrão, que ele chamou
de "faz-tudo". Henry de Castro mostrou aos jurados os registros de
ligações telefônicas feitas e recebidas pelo celular de Macarrão.
Segundo ele, em uma delas, registrada em 4 de junho, às 20h20m, Macarrão
fez uma proposta a Eliza para que ela fosse ao encontro do goleiro, que
estava concentrado no Flamengo. O promotor relatou que Bruno ameaçava
Eliza enquanto a manteve em cativeiro:
— Depois que ela foi levada
a cativeiro, Bruno a advertiu expressamente a não procurar a polícia,
pois se ela o fizesse, ele a mataria e providenciaria a morte de seus
amigos e de seus parentes.
Henry de Castro disse, ainda, que a confissão de Macarrão não era necessária, apesar de ter sido relevante:
—
Nós não precisávamos da confissão de Macarrão, apesar de ela ter sido
relevante. Nós temos provas. Mas, com o depoimento do Macarrão, nós
temos a afirmação que o mando partiu de Bruno. O Bruno, que não queria
pagar pensão e aluguel, envolveu as mulheres, os amigos, os primos, os
carros, os imóveis.
Para o promotor de Justiça, Fernanda Gomes de
Castro já sabia que a ex-amente do goleiro seria sequestrada. Segundo o
Henry de Castro, Fernanda fez várias ligações para Luiz Henrique Romão, o
Macarrão.
— Não consigo entender como uma mulher consegue verter
tantas lágrimas hipócritas — disse o promotor, que ainda questionou o
fato de Fernanda ter tomado conta do filho de Eliza. — Somente uma
mulher gravemente lesionada poderia entregar os cuidados do próprio
filho para uma mulher desconhecida e rival amorosa.
Henry de
Castro disse acreditar que, com as condenações, Eliza poderá ser
sepultada, ainda que simbolicamente. Ele terminou pedindo a condenação
de Macarrão e Fernanda:
— Sei o que um rapazinho da periferia
sonha em ser, porque nasci na periferia e vi o chão batido. Esse
julgamento é simbólico, um espelho para a sociedade. Esses rapazes não
podem achar que ganhando dinheiro e fama podem matar e esconder o corpo
de uma vítima sem serem responsabilizados por isso. O Macarrão chutou a
perna de Eliza para viabilizar a morte dela mais rapidamente, ele é um
facínora. Excelências, peço a vocês justiça, peço que vocês condenem
Macarrão e Fernanda pela morte de Eliza. Apesar de termos um homicídio
sem corpo, temos provas. A ausência de corpo comprova o quarto crime:
ocultação de cadáver. Peço justiça, hoje essa conta tem que começar a
ser paga.
Após boato da morte de Bruno, juíza proíbe jornalistas no plenário
O
quinto dia de julgamento começou com atraso porque o Tribunal de
Justiça de Minas Gerais (TJ-MG) teve de instalar um sistema de som na
sala de imprensa do Fórum Pedro Aleixo, em Contagem, Região
Metropolitana de Belo Horizonte, para que os jornalistas pudessem
acompanhar a sessão, que estava prevista para começar às 9h. A medida
foi tomada porque a juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues proibiu a
entrada e saída de jornalistas no plenário enquanto defesa e acusação
estiverem em debate.
A justificativa da magistrada para proibir a
imprensa no plenário foi o tumulto provocado nesta quinta-feira pela
entrevista do novo advogado do goleiro Bruno Fernandes, Luiz Adolfo
Silva, que divulgou e logo depois desmentiu a versão de que o atleta
teria sido encontrado morto na penitenciária Nelson Hungria. O boato foi
espalhado enquanto a ré Fernanda Gomes de Castro, ex-namorada do
jogador, estava sendo interrogada.
Depois que acusação e defesa
apresentarem suas alegações, o conselho de sentença se reunirá para
decidir se os réus serão condenados ou absolvidos. Macarrão responde por
homicídio triplamente qualificado, sequestro e cárcere privado e
ocultação de cadáver. Já a ex-namorada do goleiro Bruno Fernandes é
acusada de sequestro e cárcere privado de Eliza e do filho dela.
Fonte: globo
CONTAGEM
E RIO — O promotor Henry Wagner Vasconcelos adiantou que Luiz Henrique
Romão, o Macarrão, foi condenado na noite desta sexta-feira por três
crimes: sequestro, cárcere privado e homicídio da modelo Eliza Samudio. O
ex-braço direito do goleiro Bruno escapou de ocultação de cadáver. Já
Fernanda Gomes de Castro, ex-namorada do atleta, foi condenada por
sequestro e cárcere privado da modelo e do filho dela com Bruno, o
Bruninho. O debate entre defesa e acusação de dois envolvidos no
desaparecimento e morte da modelo — o que marcou o quinto dia de
julgamento do caso Bruno — terminou por volta das 21h desta sexta-feira
Os
sete jurados seguiram para uma sala, onde votaram pela condenação ou
absolvição dos réus. Em seguida, a juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues
proclama a sentença. O advogado Leonardo Diniz, que representa Macarrão,
voltou a negar que Eliza foi sequestrada. Durante sua tréplica ao
promotor de Justiça, Henry Wagner Vasconcelos de Castro, Diniz voltou a
afirmar que a modelo teria ido ao sítio de Bruno por vontade própria, e
ironizou:
— Sequestro assim até eu queria. Um sítio lindo daqueles.
Mais
cedo, o advogado do ex-funcionário do goleiro Bruno pediu uma “pena
justa” para o cliente. Segundo o advogado, Macarrão não participou do
assassinato.
— Que essa reprimenda seja justa. Que o Luiz Henrique
seja absolvido do crime de sequestro, seja ainda absolvido do crime de
ocultação de cadáver. Ele não participou do assassinato. Quero que
vossas excelências analisem a relação entre um serviçal e um ídolo de
futebol — disse Leonardo, ao encerrar sua argumentação na tarde desta
sexta-feira no Fórum Pedro Aleixo, em Contagem, Região Metropolitana de
Belo Horizonte.
CONTAGEM
E RIO — O promotor Henry Wagner Vasconcelos adiantou que Luiz Henrique
Romão, o Macarrão, foi condenado na noite desta sexta-feira por três
crimes: sequestro, cárcere privado e homicídio da modelo Eliza Samudio. O
ex-braço direito do goleiro Bruno escapou de ocultação de cadáver. Já
Fernanda Gomes de Castro, ex-namorada do atleta, foi condenada por
sequestro e cárcere privado da modelo e do filho dela com Bruno, o
Bruninho. O debate entre defesa e acusação de dois envolvidos no
desaparecimento e morte da modelo — o que marcou o quinto dia de
julgamento do caso Bruno — terminou por volta das 21h desta sexta-feira
Os
sete jurados seguiram para uma sala, onde votaram pela condenação ou
absolvição dos réus. Em seguida, a juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues
proclama a sentença. O advogado Leonardo Diniz, que representa Macarrão,
voltou a negar que Eliza foi sequestrada. Durante sua tréplica ao
promotor de Justiça, Henry Wagner Vasconcelos de Castro, Diniz voltou a
afirmar que a modelo teria ido ao sítio de Bruno por vontade própria, e
ironizou:
— Sequestro assim até eu queria. Um sítio lindo daqueles.
Mais
cedo, o advogado do ex-funcionário do goleiro Bruno pediu uma “pena
justa” para o cliente. Segundo o advogado, Macarrão não participou do
assassinato.
— Que essa reprimenda seja justa. Que o Luiz Henrique
seja absolvido do crime de sequestro, seja ainda absolvido do crime de
ocultação de cadáver. Ele não participou do assassinato. Quero que
vossas excelências analisem a relação entre um serviçal e um ídolo de
futebol — disse Leonardo, ao encerrar sua argumentação na tarde desta
sexta-feira no Fórum Pedro Aleixo, em Contagem, Região Metropolitana de
Belo Horizonte.
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